Bem no coração do Brasil, o mais novo Estado é também revelação de belezas, distribuídas em 278.420 km2. Tocantins desponta como "Paraíso da Biodiversidade”, por sua localização privilegiada na zona de transição dos grandes ecossistemas brasileiros: a floresta amazônica, o cerrado, o semi-árido e o pantanal. Para melhor organizar o turismo no estado, existem quatro roteiros diferentes: histórico-cultural, ecoturismo, pesca-esportiva e místico-religioso.

Histórico-cultural: Cidades coloniais já tombadas pelo Patrimônio Histórico são atrativos turísticos desta terra onde se fundem caminhos e trilhas naturais com azulejos portugueses, igrejas e museus. Cidades como Palmas (com monumentos, complexos culturais, artesanato e outros), Porto Nacional (Igreja da Matriz, Museu Eli Brasiliense e Casario Colonial), Natividade (ruínas históricas da Cidade Velha, Museu Histórico do Estado e danças folclóricas), Arraias (Centro Cultural Mãe Samina, ruínas da Chapada dos Negros e construções históricas do século XVII), entre muitas outras, oferecem muita história e cultura para seus visitantes.

Místico-Religioso: O estado oferece várias opções para quem quer um produto caracterizado pela espiritualidade e pela fé. Na cidade de Lajeado podem ser visitados o Morro do Segredo e a Serra das Escritas; já a cidade Monte do Carmo oferece como atrativos a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Festa do Divino. Em Natividade pode-se participar da Romaria do Senhor do Bonfim e visitar as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Outra cidade importante para este roteiro é a de Taguatinga, com as festas das Cavalhadas e de Nossa Senhora D'Abadia.

Pesca-esportiva: Algumas cidades do estado oferecem lugares perfeitos para a prática deste esporte, pouco comum nas grandes cidades. A capital Palmas possui o Lago da Usina do Lajeado, em Araguatins a pesca-esportiva pode ser praticada no famoso Rio Araguaia e na Praia de São Bento, além de outras cidades, que oferecem belíssimas lagoas e rios para a prática esportiva.

Ecoturismo: destino ecoturístico com ótimas perspectivas no mercado mundial devido às suas qualificações naturais, Tocantins oferece destinos com raras belezas naturais. A principal região do estado é o Jalapão, que engloba as cidades de Novo Acordo, Ponte Alta, São Félix e Mateiros. Roteiro de paisagens exuberantes, o Jalapão abriga, em suas terras, belezas exóticas que misturam cerrado, savana e deserto . Santuário ecológico situado no leste do estado, o Jalapão reúne atrativos de beleza única, repletos de aventuras e emoções. Cachoeiras, dunas, trilhas e o mistério das águas do fervedouro compõem essa privilegiada região situada no interior do país. Nela estão atrativos como a Cachoeira do Rio Prata, Morro da Pedra Furada, a Cachoeira da Suçuapara, Cachoeira da Velha, Cachoeira da Formiga, Dunas da Serra do Espírito Santo (durante o dia as areias estão clarinhas, e no fim da tarde, elas tomam do pôr-do-sol o tom rosa-alaranjado), e o Fervedouro (poço de águas cristalinas emolduradas por bananeiras, onde você não consegue afundar, que está sobre uma nascente em que a água "escapa" por pequenos buracos na areia, formando bolhas de ar, o fenômeno responsável pela flutuação. Sabor extra tem a lenda local: os jatos d ´água seriam produzidos por uma sucuri gigante, que ficaria se contorcendo no fundo do poço). Já a capital Palmas , que está situada no centro geográfico de Tocantins, conta com belezas naturais intactas, quilômetros de praias fluviais, cachoeiras e reservas ecológicas. Encontra -se ainda, outros destinos ecoturístico no estado, como as cidades de Lajeado, Novo Acordo, Natividade, Dianópolis , Xambioá , Araguacema , Caseara, Pium, Formoso do Araguaia e a Ilha do Bananal. Esta última é a maior ilha fluvial do mundo, formada pelo Rio Araguaia e seu braço, o Rio Javaé , compondo um ecossistema rico em animais de diversas espécies, espalhadas por grandes extensões que se mantém inundadas na maior parte do ano e formam lagos na estiagem.





 

Domingo de Páscoa, final da tarde. Terminada as saudações a ressurreição de Cristo, as tocantinenses iniciam um novo culto. Desta vez para homenagear a pessoa da Santíssima Trindade. O espírito santo será glorificado ao longo de 40 dias em rituais religiosos e profanos que vão culminar, no inicio de junho, na grande Festa do Divino, uma das mais importantes manifestações culturais do Estado. Os festejos começam no dia de Páscoa com a partida das "folias", grupos de cavaleiros cantadores que saem das principais cidades do interior do Tocantins rumos as fazendas e povoados, empunhados a bandeira do Divino. Em nome dela recolhem donativos para a igreja e convidam a comunidade para a grande festa. A pomba do Divino Espírito Santo estampada na alma de todos os tocantinenses, em especial dos que vivem no interior do estado. Mais em Natividade, cidade do sudoeste do Estado, que a tradição se manifesta mais forte, cantando e tocando instrumentos de corda e percussão, as "folias" visitam os moradores da região, de quem recebem alimentação e pousada. De volta a cidade, no quadragésimo dia, as "folias" se encontram para a Festa do Divino . Ela começa na igreja- com rezas de agradecimento e entrega dos donativos recolhidos - e termina na praça - com muita dança, música e licores de frutas regionais. Ao som da taieira, da súcia, do cateretê e da catira, sempre dançados em trajes típicos, a festa rompe a madrugada. NA CULTURA DO TOCANTINS, A RIQUEZA DE ALMA DE TODO O SEU POVO.
Artesanato - A alma do povo do Tocantins também tem forte expressão do artesanato , que traduz a grande diversidade natural e cultural do estado. Os moradores da cidade de Arraias, por exemplo, usam a "tabatinga", uma argila branca para produzir peças utilitárias cujo o produto final se assemelha da a cerâmica. Na região de Mateiros os artesão utilizam uma palha dourada típica, que é colhido apenas em uma época do ano para confeccionar certarias. Isso sem contar com o rico e atraente artesanato indígena. Para valorizar, fortalescer esse tipo de manifestação cultural, o governo do Tocantins promove anualmente, no mês de outubro a Fecoarte - Feira de Artesanato do Estado, que reúne em Palmas artesãos de todo o estado. A feira também é uma oportunidade para as regiões apresentarem seu folclore e suas comidas típicas. 
Cidades - O departamento de patrimônios históricos da secretária de educação do Tocantins está garimpando o tesouro do estado: sua história. Através do projeto batizado de "conhecer para preservar" uma equipe no multidisciplinar do Departamento está percorrendo, um a um, os municípios tocantinenses para fazer o inventario da sua formação histórica infracultural, conhece suas potencialidades e identificar monumentos naturais, arquitetônicos e arte que devem ser tomados tanto pelo estado do Tocantins tanto pela união.
A Festa do Divino é a dança da súcia. Os índios também tem forte influencia na cultura do Estado. O trabalho começou em Porto Nacional e Natividade, cidade consideradas com o berço cultural do Tocantins. A primeira, pela qualidade do ensino implantado ali por Padres Franceses, que assumiram a educação da elite intelectual e econômica da Região. A segunda por preservar traços do Brasil Colônia tanto na arquitetura tanto na cultura. A marca dos escravos negros, responsáveis pela construção de Natividade, está presente tanto nas ruas estreitas e nas ruínas da cidade quanto nos costumes, e na comida, nas danças e nas festas populares.
Na segunda etapa do "conhecer para preservar", já iniciada, fará o inventario histórico- cultural de oito cidades da região norte e de Tocantinia, cidade que mescla influencias da igreja batista com a dos índios Xerente e ainda guarda sinais do tempo em que recebeu "coluna prestes", movimento liberado pelo então tenente Luis Carlos Prestes que percorreu todo o país no inicio do século, pregando a justiça social. 

Manifestações populares como festas, crenças, supertições e danças são consideradas a alma da cultura tocantinense e traçam o perfil cultural do nosso povo. São festas coloridas, alegres e cheias de devoção. Seus participantes rezam, cantam, dançam e até simulam batalhas medievais. De origem conhecida ou anônimas, as comemorações guardam em sua essência elementos de diferentes culturas, herança de nossa miscigenação étnica. As encenações vão desde guerras medievais, passagens bíblicas até as integras palacianas, numa recordação dos costumes dos colonizadores portugueses e africanos. É uma maneira alegre de contar a história.
Viajando na história do Brasil, vamos encontrar os negros que foram trazidos da África (século XV ao XVIII) para a América. N o que tange a história do Tocantins, a mão-de-obra escrava começou a ser introduzida na Chapada dos Negros, em 1736, no antigo Norte de Goiás, nas minas de ouro que deram inicio ao Município de Arraias.
Os negros viviam nas senzalas, e, a noite, apesar do sofrimento e dos maltratos, encontravam forças para venerar seus deuses com danças e rituais religiosos como umbanda e candomblé, numa forma de protesto da sua dor e amor a terra distante.
É nesse contexto histórico e cultural, que surgem as manifestações culturais: lendas, danças, costumes, festas religiosas em conjunto com todas as correntes migratórias. O folclore do Tocantins é enriquecido pela cultura das nações indígenas existentes na região, presentes nas comidas, lendas,costumes e danças.
As festas religiosas representam a devoção do povo. A do Divino Espírito Santo, uma das mais presentes, é celebrada em cidades como Peixe, Monte do Carmo, Santa Rosa do Tocantins, Conceição, Palmas e Almas. A crença diz que o Divino acaba com a fome e com a guerra. Sua bandeira traz benções, fortuna e alegria a comunidade.
A celebração chegou ao Brasil no século XVI, introduzida pelos colonizadores portugueses. Em homenagem ao Divino, os tradicionais festejos folclóricos apresentam danças que, conforme a região, podem ser cavalhadas, sússia e outras.
Outra festa de tradição secular é a de Nossa Senhora do Rosário. Em julho, ela acontece nas cidades de Taipas, Monte do Carmo e Tocantínia. O culto em louvor a Nossa Senhora do Rosário é uma tradição escrava, por ela ser considerada protetora dos negros. Em Monte do Carmo, a festa é acompanhada de congos e taeiras que saem pelas ruas cantando e dançando ao som de tambores e maracás. O rei e a rainha, escolhido entre a comunidade local, são o centro das atrações.
Também da África veio a Congada (conhecida também como congo), considerada a principal manifestação cultural africana no período Brasil colônia. Realizada em todo o território nacional de diversas maneiras e mescladas a outras festas, a congada compõe-se de vários autos teatrais, formada pela coroação dos reis congos, lutas, desafios, prestígios e embaixadas, cantos e danças.
A devoção aos santos é tradição nas comunidades tocantinenses que prestam homenagens aos padroeiros das cidades. Santa Ana, São Cristóvão, São José e outros santos são alvo de agradecimento. Em Araguacema, a Roda de São Gonçalo, restrita as mulheres, que simboliza a devoção ao santo protetor dos pobres e dos solteirões. Já em Paranã, a Procissão Fluvial homenageia o padroeiro São João Batista e o Divino Espírito Santo. Dezenas de barcos enfeitados sobem o rio Paranã até o Porto da Balsa, onde a multidão os aguarda. A procissão é recebida sob a aclamação dos fiéis e segue até a Igreja Matriz, onde é realizada uma missa.
As festas em homenagem aos padroeiros têm ganhado um significado especial com a restauração das obras sacras, pela Secretaria de Estado da Cultura. Ao receber as imagens restauradas, a comunidade sente sua fé renovada.